O Paradigma na PadronizaçãoVoltar

Por muito tempo IEEE, ITU-T e IETF tiveram grande importância na padronização. Vemos agora um movimento bastante parecido ocorrendo nos frameworks de software.

09-06-2015





 

 

Na obra Lost Paradise, John Milton descreve um coro de demônios, o Pandemonium, em que cada um canta uma melodia diferente. Quem ouvia o coro de perto conseguia perceber apenas uma imensa cacofonia. Porém, se o ouvinte se distanciasse e ouvisse todos os demônios ao mesmo tempo, passaria a distinguir uma música que brotava do conjunto de todas as melodias juntas.

No mercado de networking, este processo também é necessário. Não é desejável que os padrões sejam inflexíveis a ponto de restringir a inovação. Desta forma, é desejável que cada fabricante possa cantar uma canção distinta. Porém, para que seja possível usar vários soluções de forma única, é necessário que se produza música na união deles.

Esta música é possível pela adoção de padrões. Durante muito tempo, o mercado de network produziu música pelos padrões de órgãos de engenharia, como IEEE, ITU-T e IETF. Contudo, no setor de network, estes órgãos sempre focaram em elementos com inteligência local e protocolos para troca de informações entre eles. Estes padrões tiveram seu momento, mas estão perdendo espaço para os grandes frameworks de software livre.

As iniciativas de código livre têm assumido o papel que foi executado pelos órgãos padronizadores.
O enfoque deles é bem diferente. Agora temos um plano de controle bem centralizado, que tem conhecimento da infra como um todo e onde rodam os processos de controle. A infraestrutura está subordinada ao plano de controle que tem inteligência suficiente para executar os comandos. A troca de informações entre os elementos já não é feita por protocolos, mas por APIs. O mundo externo interfaceia somente com o plano de controle e por meio de APIs.

O OpenStack tem despontado como o mais bem sucedido destes frameworks. Desta forma, ele trabalha como uma opção de orquestração para frameworks menores, e como base para outros deles. Por exemplo, o Open Daylight tem um plugin para o Neutron, o que permite que ele seja usado como a parte de rede do OpenStack. Por outro lado, o OPNFV, que pretende ser a plataforma para as funções de rede nas operadores, usa o OpenStack como base para provisionamento.

Gustavo Mitt - Vice-President de Inovação